Fernando Cyrino

Caminhando e saboreando a vida.

Textos


A árvore grande e suas pequeninas companheiras
 
Era uma vez uma árvore muito bonita. Naquele vale nenhuma era capaz de rivalizar com ela em força e formosura. Frondosa, seus galhos subiam para o céu e se espalhavam para os lados com graça e beleza.

Como era muito alta e larga os raios de sol a beijavam mais intensamente . Isto fazia com que se tornasse ainda mais vigorosa e bela. Quase sempre estava florida. Quando balançada pelo vento o som que nascia em suas folhas parecia suave canto.

Em volta dela havia algumas outras árvores. Bem menores, tinham pouca graça. Seus galhos eram curtos e retorcidos. Davam a impressão de que sentiam medo de crescer. O céu as assustava. Receavam se queimar ao encontrar lá no alto o sol. Preferiam ficar protegidas sob a sombra da nossa árvore grande e frondosa.

Mas esta se afligia em tê-las pequenas por perto. Sabia das suas potencialidades e não conseguia compreender o porquê de não se desenvolverem. "Se foram feitas para serem grandes, por que gostam de viver baixinhas?"

Ansiosa, passou a, reiteradamente, estimulá-las para que crescessem e fossem rápidas. Animadas elas aceitaram o desafio e num salto se esticaram. Tornaram-se compridas e magricelas. Mais feias ainda. Pior foi que o tronco e as raízes não conseguiram acompanhar aquele esticão. A primeira chuva e ventania as lançou ao chão.

Nossa amiga continuou bela e altaneira. Só que parara de sorrir. Sentia-se culpada pelo ocorrido, além de que ficara solitária. Não tinha mais nenhuma amiga nas vizinhanças.

Um dia, ao olhar o chão em volta reparou haver algumas sementes germinando. Decidiu então manter-se calma e paciente. Deixaria correr o ritmo da natureza e esta, ela aprendera, é incapaz de dar saltos.

Moral da história: Quem não dá tempo ao tempo, respeitando-o, no ritmo de cada um para o seu próprio tempo de crescimento, pode terminar sozinho.
Fernando Cyrino
Enviado por Fernando Cyrino em 10/01/2013
Alterado em 12/02/2016
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