Fernando Cyrino

Caminhando e saboreando a vida.

Textos

CICATRIZ
Evidente que ele se distanciava. Razões não dava nenhuma. A opção que ela tomou foi a de se enganar. A frieza devia se dar por algum problema no trabalho. Chovia bastante naquela noite em que ele entrou em casa, agindo como se ela não existisse. Perguntou-lhe por quê? O silêncio pareceu gritar. Encheu a mala e partiu. Aguardou-o por uns meses antes de se enfiar no luto. A indiferença, mais que o abandono, era o que lhe feria a alma.

Na madrugada a ligação do hospital a acordou. Seu número estava na carteira e necessitavam comunicar sobre o acidente: ele estava muito mal e as chances eram quase nulas. Esforçou-se para dizer que não o conhecia, mas foi inútil. A cicatriz se abria de novo.
Fernando Cyrino
Enviado por Fernando Cyrino em 03/08/2017
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