Fernando Cyrino

Caminhando e saboreando a vida.

Textos

As razões da minha Esperança -
Ei, Eduardo,
Paz!
Gostei do desafio que nos propõe de fazer uma lista com as razões que damos à Esperança. Interessante que se analisarmos, racional e friamente, o ato de esperar veremos que dentro dele está implícita a possibilidade da não chegada daquilo que se aguarda. É exatamente aí que entra a necessidade de uma segunda virtude para nos dar razões, além da fria razão humana, daquilo que se espera. Estou falando da Fé. É ela que nos traz a certeza de que a expectativa um dia se realizará ou, melhor dizendo, imperceptivelmente ela já se faz realidade, eis que se dá necessariamente em Deus, e Ele é todo Caridade, a terceira e maior virtude que vem, perene, completar o sentido das outras duas, que passarão.  Feito este pequeno intróito vamos então à lista das três principais razões da minha Esperança:

1 – O contínuo brotar da vida - Tenho participado da alegria do nascimento de algumas crianças. A segunda geração após a minha vem chegando e é muito bem-vinda! A cada vida nova que entra no mundo dá-se em mim a renovação da Esperança num mundo novo. Há jovens acreditando no futuro da Terra e nessa crença eles se tornam co-criadores, trazendo vida nova para fazer melhor aquilo que devíamos ter realizado e falhamos. Ao sentir que há tantos e tantos jovens acreditando firmemente na vida, a ponto de gerá-la e cuidar dela, tenho mais é que ter muita Esperança no amanhã. Veja que gerar filhos é olhar o futuro com os olhos de Deus (mesmo que não se tenha consciência disto – aliás, este não é um ponto relevante). É vê-lo com uma grande esperança. É acreditar corajosamente que um outro mundo é possível. Acreditar na coragem de se ser co-geradores da vida num tempo que parece ser de medos e  incertezas, dá razão à minha Esperança.  

2 – As gerações que me sucedem – Há muitos anos ouvi de um sábio, o Pe. Candinho, algo do qual nunca me esqueci. Ele dizia que vivíamos os tempos das gerações “melhoristas”. Ou seja, os filhos das últimas gerações são melhores que aquelas das quais seus pais faziam parte. Explicava isto num contexto mais profissional, mas acho que é tudo muito mais amplo. Vejo a geração seguinte à minha, esta da qual fazem parte os nossos filhos, como muito melhor do que a que faço parte. Isto não apenas na questão do conhecimento, eis que sabem bem mais do que nós quando tínhamos as suas idades. Mas, principalmente em relação ao ser melhores por serem hoje homens e mulheres mais completos do que fui. Herdeiros de sonhos falidos que acalentamos, observo-os tendo uma visão de mundo mais aberta, bem menos preconceituosa, e também solidária. São mais transparentes em relação aos sentimentos e capazes de expressá-los com mais autenticidade do que nós. Cobram-nos, constantemente, posturas coerentes e mais éticas e por fim, são possuidores de uma espiritualidade ampla, mais generosa e cuidadosa das pessoas e da terra que nos acolhe. Sabemos que a grande maioria dos que têm “ficha suja” são bem mais velhos e acho que não é só porque possuem mais tempo de vida que isto se dá. Acreditar que os jovens vão se fazendo melhores dá razão à minha Esperança.

3 – A construção do Reino – O Reino se faz a cada momento. Independente da percepção que tenhamos, lá está ele brotando onde menos se espera. Há sementes do Reino espalhadas em todos os lugares e é só haver um mínimo de “boa vontade” para que germinem. Por isto, de onde só se poderia esperar, racionalmente, por algo ruim, vemos nascer gente linda. Nesse movimento, que é sempre ascendente, todas as pessoas e todas as coisas se remoçam e se refazem. Não é por acaso que Ele “faz novas todas as coisas” e dentre essas novidades que vão sendo reconstruídas, quero colocar também essa minha Esperança que se renova. O fato é que tudo cresce. Tudo “conspira para a glória de Deus” e por causa disto, mesmo que uma mirada mais superficial nos passe a impressão de que haja um refluxo, tudo está se desenvolvendo, tudo melhora. Ou, dizendo de outra maneira, a cada dia nós e as coisas criadas vamos ficando mais perto de Deus. Até do pecado Ele tira matéria para essa construção de nos fazer mais humanos. Este é o mistério da vida. Toda a criação está em permanente evolução e esta caminhada tem um sentido e um fim. O sentido dela é o bem e o seu fim é Deus. No final de tudo estaremos envoltos no Cristo Cósmico, final de tudo o que é criado. Na linda visão de Teilhard de Chardin tudo e todos seremos recolhidos pelo Cristo Cósmico no Ômega da História, o final dos tempos. Acreditar que tudo caminha para Deus dá razão à minha esperança.

Amém.
Fernando Dias Cyrino
www.genteplena.com.br
Fernando Cyrino
Enviado por Fernando Cyrino em 10/09/2010


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