Fernando Cyrino

Caminhando e saboreando a vida.

Textos


Voo materno
 
A mãe sorri flutuando pelo azul do espaço. O menino se aflige ao vê-la tão bonita a se distanciar. Por fim se transforma num singelo ponto de luz em meio ao brilho faiscante das infinitas estrelas. Desespera-se e grita apavorado chamando inutilmente por ela. No gelado da madrugada o despertar febril empapado de suor e urina. 
 
Sem esconder o incômodo a cuidadora noturna para de dedilhar o terço e se levanta. Lá de antes das compridas fileiras de camas, diz um xiii. Ordena para que cale a boca e durma. Nem vem reparar no calor a lhe queimar a face e muito menos no frio molhado das roupas.
 
Não há ninguém para lhe oferecer a proteção do colo, acariciar os cabelos, beijar seu rosto, solfejar uma cantiga para afastar o medo misturado à tristeza. A mãe não existe mais. Arranjou a doença e nem se despediu dele. Tanto implorou para descer do mundo que agora ela é feliz.

 
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Fernando Cyrino
Enviado por Fernando Cyrino em 20/03/2017


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